Resenha: “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”

“A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, obra mais famosa do sociólogo e intelectual alemão Max Weber, desenvolve toda uma análise sociológica do desenvolvimento capitalista nos países protestantes.

Começando com a concepção de Lutero sobre vocação, Weber tece um caminho de evolução da “ascese intramundana” protestante, a qual desaguará na concepção de mundo capitalista no fim do séc. XIX e início do XX. O autor mostra a racionalidade do processo por inteira, onde cada característica do “capitalista”- como concebido este termo à época – é, de alguma forma, encontrada nas práticas que compõem a ética protestante (“ascese intramundana”).

Daniel Pereira

Na obra, o capitalismo é, pela primeira vez, analisado não como sendo mero modo de produção, mas sim um “espírito”. Ou, segundo o autor, afirma-se, pela primeira vez a existência de uma “ética capitalista”, não baseada somente na busca profunda pelo lucro (visto que tal prática já fora vista em outras épocas e modos de produção), mas sim em todo um comportamento que entende a prática e aprimoramento de uma profissão como uma missão divina e um fim em si próprio. Tal comportamento teria sido direcionado pela ética protestante, onde a prática da “vocação” e o lucro (quando espontâneo) significam “a extensão da glória de Deus”.

Weber também salienta que tal processo se dá de maneira racional, atuando como uma adaptação da religião cristã aos anseios da nova classe emergente, a burguesia. Neste cenário, a concepção de ascese intramundana protestante representa o patamar final do desencantamento do mundo ocidental, iniciado na Antiguidade, dando assim condições epistemológicas para o desenvolvimento das esferas sociais, como a ciência, a economia, a política, o direito, etc. (Sociologia das Religiões).

Ainda na obra, o autor insere o conceito de “afinidade eletiva”, retirado da obra de Göethe, com o mesmo título. Através de tal método, Weber relaciona a “ética protestante” e o “espírito do capitalismo”, onde um não é mera causa de outro, como afirma o materialismo histórico.

O sociólogo entende que o capitalismo, para se desenvolver plenamente, necessita de práticas específicas, que são cultivadas pela religião protestante. Sendo assim, tal modo de produção encontra condições excepcionais para seu desenvolvimento em países de origem protestante, tais como Inglaterra, Países Baixos, partes da França e da Alemanha, etc.

Trata-se de um livro excelente, e uma leitura que recomendamos a todos.

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *