Proteger mercados não vai nos enriquecer

Artigo enviado pelo leitor Tiago Werkhauser | Espaço Leitor

No mundo pré-revolução industrial, roupas eram tão caras que chegavam a ser legadas em testamentos. A comida era um bem tão escasso que um dos símbolos de ostentação dos poucos ricos da época era dar um banquete, em que não se oferecia mais comida do que se encontra hoje em qualquer buffet a R$20,00.

Não foi protegendo o mercado dos produtores ou das alfaiatarias que conseguimos popularizar esses bens aos níveis atuais. Não foi a estatização, monopolização ou regulamentação da produção que estenderam esses “luxos” aos mais pobres.

Hoje esses bens são acessíveis a praticamente toda a população, simplesmente porque se encontrou um meio mais barato de produzi-los. Porque, em algum momento, houve uma quebra no paradigma anterior que propiciou uma otimização na utilização dos recursos, aumentado a produção e diminuindo o custo.

Esse processo não costuma ser indolor. Quando Henry Ford começou a implementar a produção em linha, em 1913, alguns empregos foram sacrificados. Ao final do processo, um Ford T – antes artigo de luxo só para ricos – saía da fábrica a cada 20 segundos aproximadamente e, vendidos a 260 dólares, eram acessíveis até mesmo aos operários que os fabricavam.

E foi assim, graças à destruição-criativa, que em apenas 200 anos conseguimos duplicar a expectativa de vida, diminuir o número de miseráveis de 95% para menos de 10% da população mundial, multiplicar por pelo menos 7 o número de habitantes no globo e vencer a catastrófica armadilha malthusiana.

 

 

 

Entender a importância disso requer a compreensão de que dinheiro não é riqueza: bens e serviço em abundância são!

Uma sociedade próspera não é aquela em que seus empregados e produtores dispõem de rígida proteção do governo para garantir seus salários e fatias de mercado. Uma sociedade próspera é aquela que consegue produzir mais bens e serviços a um custo menor. Quanto mais bem sucedida nesse propósito, mais próspera será.

Preâmbulo feito, vamos à polêmica do Uber

O surgimento do Uber representou uma quebra de paradigma do negócio de transporte individual. Assim como a luz elétrica no negócio de iluminação a óleo, os carros no negócio de carroças, o CD no ramo dos discos, a Netflix no negócio da locação de filmes, etc.

O ponto crucial deste debate é que a mudança no modelo de negócio tornou o serviço mais barato e a história mostra que apenas a diminuição nos custos é capaz de popularizar a riqueza de forma eficiente.

Por tudo isso que não concordo com a recente decisão que reconheceu vínculo empregatício a um motorista do Uber. Afora da questão meramente legal de se preencher ou não os requisitos da relação trabalhista, essa decisão subverte todo o modelo de negócio do Uber, baseado na aproximação virtual de serviço e demanda, que inclusive inspirou e vem inspirando outras plataformas que estão popularizando serviços como o Airbnb, Singu, Docway, Eu entrego, Diaríssima, etc.

A vingar o posicionamento, estaremos freando uma destruição criativa com um potencial inimaginável, em nome da manutenção de um modelo com resultados conhecidos e insatisfatórios.

Talvez o emprego de taxista como o conhecemos seja sacrificado de fato, mas se a prosperidade de uma sociedade fosse garantida pela manutenção de empregos apenas, deveríamos diminuir a capacidade das retroescavadeiras pela metade e empregar 2 operários para cada serviço de uma máquina, ou melhor, 100 homens a cavar com pás, ou 1000 a cavar com colheres.

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