O que o brasileiro espera de um político?

Não é novidade para ninguém que o brasileiro anda extremamente insatisfeito com seus representantes. Na última pesquisa do Instituto DataFolha, 51% dos entrevistados avaliaram o governo Michel Temer como ruim/péssimo, e 34% como regular.

Além da grande insatisfação, a polarização tomou conta das relações na sociedade civil de tal sorte que, hoje, é dificílimo encontrar elos que unam os dois extremos do espectro de opiniões políticas.

Apesar disso, ainda existem pautas unificadoras que são consenso na maioria da sociedade: o fim da corrupção (com especial foco para as “10 medidas contra a corrupção”), o fim do foro privilegiado e a revisão dos critérios e recurso concedidos ao fundo partidário.

O que muitas vezes a população esquece é que essas pautas dependem primordialmente de um apanhado de burocratas que estão em Brasília, contidos naquilo que chamamos geralmente de “políticos”.

Caso queiramos que uma dessas inciativas vire realidade, é necessário que um processo legislativo seja percorrido e, neste, o político é parte fundamental.

 

 

O trâmite

Para exemplificar a importância de cada um destes, mostraremos em suma como funciona o processo de aprovação de uma lei ordinária (um resumo disto pode ser encontrado no quadro abaixo).

Primeiramente, a iniciativa é encaminhada à Casa iniciadora, podendo esta ser a Câmara de deputados ou o Senado Federal, a depender do propositor da iniciativa. Caso aprovada na Casa iniciadora, a iniciativa segue para a Casa revisora, onde pode sofrer uma emenda, ser aprovada com o texto original, ou reprovada.

Se sofrer uma ou mais emendas, a iniciativa volta para a Casa iniciadora para aprovação ou reprovação da(s) mesma(s). Após as devidas aprovações, a iniciativa segue para a Presidência da Republica, onde pode ser sancionada ou vetada.

 

 

Não é difícil perceber a importância dos políticos na nossa vida cotidiana, mas será que o brasileiro dá a eles a devida atenção? Mais do que isso, será que damos a devida importância ao processo que escolhe nossos representantes? Estamos de olho nos políticos que elegemos?

Em “Reforma Politica: Lições da Historia Recente”, Alberto Carlos Almeida apresenta dados do que chama de “amnésia eleitoral”.

Segundo esse trabalho, 71% dos Brasileiros não se lembravam em quem haviam votado para deputado federal 4 anos antes do estudo (2006); 31% não tinham a mesma lembrança para o cargo de senador  e 12% para o cargo de governador.

 

 

Mais surpreendente são os dados coletados dois meses após as eleições, que mostraram que 28% dos entrevistados já não lembrava em quem havia votado para o cargo de deputado federal.

O quadro é bem diferente quando olhamos para o resto do mundo. Na Irlanda, por exemplo, apenas 12% dos eleitores não se recorda em quem votou para deputado federal na eleição anterior. Na Alemanha, esse número é de 18%; em Portugal, 31%; e, na Polônia, 49%.

 

 

Fica claro, portanto, que a amnésia eleitoral é muito mais forte em terras tupiniquins do que nas demais nações ao redor do mundo.

É importante notar que a relação entre direitos e deveres deve estar bem solidificada na mente da população. Os mecanismos de reivindicação de direitos e efetivação dos mesmos são bem entendidos em geral.

Entretanto, quando partimos para a esfera dos deveres, ela é geralmente esquecida. Um dos deveres que a sociedade tem é a responsabilidade em votar conscientemente e bem informada; e, além disso, fiscalizar o sistema e os políticos eleitos.

Sem que esta relação esteja bem alinhada, não conseguiremos sentir por completo os efeitos da democracia e muito menos viver em uma sociedade harmoniosa.

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