O legado de Dilma Rousseff em 13 gráficos

No dia 31 de agosto de 2016, o Senado Federal decretou, por 61 votos a 20, a queda da presidente Dilma Rousseff. Após quase 5 anos e meio de governo, Dilma entregou a seu sucessor uma economia destruída, com déficit e dívida públicos explodindo, recessão e inflação alta; uma combinação que, segundo o economista Marcos Lisboa, requer muito profissionalismo.

Com uma equipe formada por economistas de pensamento duvidoso, Dilma optou por implantar políticas diversas do usual, desafiando o chamado Consenso de Washington, a forma consagrada de se formular política econômica no mundo todo.

Ao lado de Guido Mantega e Arno Augustín, e ainda gozando da popularidade de seu antecessor, Dilma teve espaço para implantar sua agenda integralmente: Aumentou os gastos públicos, baixou os juros na marra, controlou preços, agigantou a Petrobrás, concedeu desonerações específicas e crédito subsidiado a setores e empresas selecionados, aumentou tarifas e ergueu mais barreiras às importações, criou regras de conteúdo nacional, concentrou mercados, interviu no setor elétrico e, principalmente, realizou as operações que ficaram conhecidas como pedaladas fiscais, estas que renderam seu impeachment.

Esse conjunto de medidas ficou conhecido como Nova Matriz Econômica e, é verdade, começou um pouco antes de Dilma ser eleita, como resposta à crise de 2008. A presidente, por sua vez, expandiu e amplificou tais políticas.

O resultado é (mais) uma década inteira perdida, muito pior do que a primeira. Projeções apontam que, em 2020, teremos uma renda per capita igual àquela observada em 2010.

A lição que a ex-presidente nos deixa é uma só: a economia é uma ciência com leis, que não podem ser desrespeitadas em hipótese alguma, sob a pena de sacrificar o futuro das gerações que estão por vir. Por isso, reúnem-se, neste texto, 13 gráficos que ilustram o resultado de políticas estapafúrdias, que carecem de embasamento teórico e empírico.

1. Déficit Primário

Tudo começa com a política fiscal. Enquanto desde o segundo mandato de FHC até o fim do governo Lula, a política fiscal se manteve sólida, gerando bons superávits primários (que são a economia do governo para pagar os juros da dívida pública), ao longo dos quase 6 anos de Dilma, o resultado primário do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e BC) se deteriorou progressivamente – de tal sorte que o governo foi obrigado a recorrer a todo tipo de malandragem contábil – atingindo déficits recordes e deixando uma herança macabra para os futuros governantes.

Para este ano, por exemplo, espera-se um déficit de cerca de R$170 bilhões, ou 2,7% do PIB. Reiterando: um recorde, digno de seções específicas nos futuros livros de história.

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2. Inflação

Mesmo num contexto de inflação elevada, Dilma forçou o Banco Central, capitaneado por Alexandre Tombini, a cortar a taxa de juros na marra. Some-se isso à sua política fiscal expansionista (leia-se: gastona) e o resultado foi nada menos do que desastroso: ao longo de todo seu mandato, a inflação jamais esteve no centro da meta (de 4,5%), e namorou o teto da meta (6,5%), chegando ao pico de 10,67% em 2015.

O governo ainda tentou enganar o público antes das eleições de 2014, represando os chamados preços administrados para maquiar a estatística de inflação. A complacência com o aumento de preços forçou o Banco Central a aumentar a taxa de juros, que atingiu um mínimo de 7,25% em 2012, para os atuais 14,25%.

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3. Ciclismo Fiscal

Os chamados esqueletos no armário tornaram-se comuns na gestão da trinca Dilma-Mantega-Arno, embora eles já fossem avisados sobre as prováveis consequências. Numa tentativa desesperada de esconder a real situação fiscal do país, Dilma passou a atrasar repasses aos bancos públicos, algo que ficou conhecido como pedalada fiscal.

No entendimento do TCU, tais manobras constituíam uma operação de crédito entre os bancos públicos e o governo, algo proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A sistemática foi tamanha que isso rendeu à presidente um processo de impeachment. Nunca antes na história deste país, desde a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal, se viu tamanho descaso e desrespeito para com as contas públicas e a contabilidade nacional.

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4. BNDES

Dilma e sua equipe de economistas acreditavam que o aumento do investimento no país deveria ser puxado pelo governo, via crédito subsidiado concedido pelos bancos públicos. Tendo isso em mente, os arautos de tal política endividaram o Estado em mais de R$416 bilhões apenas para repassar o dinheiro ao BNDES. Vitaminado com recursos extras, o BNDES concedeu empréstimos a taxas camaradas a mega-empresários amigos do partido.

Os pormenores dessa farra já renderam até uma CPI. Afinal, alguns sortudos com boas conexões políticas conseguiram empréstimos a taxas tão baixas quanto 2,5% a.a., no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

Como já explicamos em outra oportunidade, o custo dessa festa é estimado em R$323 bilhões até o ano de 2060. Mas, considerando ainda o custo econômico de financiar o BNDES (que também é abastecido com impostos), conhecido em economia como custo-sombra, bem como o custo de oportunidade de se emprestar ao banco (o que poderia ter sido feito com o dinheiro), a conta é bem maior.

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O agigantamento do BNDES

5. Dívida Pública

Como resultado disso tudo, a dívida pública explodiu, saltando de cerca de 50% do PIB para quase 67% em apenas 2 anos. Mas não para por aí: as expectativas para trajetória da dívida são ainda mais assustadoras do que esse salto. Algumas estimativas apontam para uma relação dívida/PIB de quase 90% ainda nesta década. Nosso país já é o mais endividado entre os emergentes. A conta, infelizmente, fica para as gerações do futuro.

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6. Juros da Dívida

Graças à expansão do endividamento público, bem como o aumento da percepção de risco em relação a um possível default, os gastos com juros (em % do PIB) que vinham caindo há anos, quase dobraram ao longo do mandato Dilma, atingindo incríveis 9,13% em janeiro deste ano. Para se ter uma ideia, a Grécia, país que ficou mundialmente conhecido por ter ido à bancarrota, paga algo como 5% de seu PIB em juros.

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7. Recessão

A combinação de todas as lambanças e malandragens nos trouxe à pior recessão da história do país. O investimento, variável-chave para o crescimento sustentado com aumentos de produtividade (sem inflação) vem caindo desde 2013. Só desde o início “oficial” da recessão, ele já caiu mais de 24%, comprometendo a capacidade de crescimento futuro da produtividade do trabalhador brasileiro, bem como o aumento dos salários.

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A queda generalizada da confiança dos consumidores, investidores e empresários ocasionou uma retração do PIB de 3,8% em 2015, e mais uma queda, estima em torno de 3%, esse ano.

As projeções para o futuro, por sua vez, também não são nada animadoras. Devemos ter um crescimento em 2017 da ordem de 1%, e nada muito brilhante nos anos posteriores. Em outras palavras: ao contrário das recessões anteriores, a recuperação, desta vez, deverá ser bem mais lenta,

A recessão de hoje é, inclusive, pior do que aquela experimentada nos anos da Grande Depressão. Trata-se de algo inédito em toda a nossa história.

Somos, ainda, um dos últimos colocados no “ranking” de crescimento mundial. De acordo com projeções do FMI, o Brasil terá, este ano, um desempenho melhor apenas que Macau, Venezuela, Equador, Guiné Equatorial e Sudão do Sul.

 

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A pior crise em mais de 100 anos

 

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Na rabeira

8. Desemprego

Como resultado da crise, o mercado de trabalho também vem se deteriorando, o que retroalimenta a recessão. Em 2015, por exemplo, foram destruídas 1,54 milhão de vagas formais. Como resultado, o desemprego atingiu 11,6% em julho deste ano, segundo dados do IBGE. Em números absolutos, isso representa algo em torno de 12 milhões de pessoas desempregadas.

A situação é tão grave que o desemprego vem batendo justamente naqueles empregos ditos “mais resilientes”, isto é, mais longevos, que são, em geral, de chefes de família. As consequências são graves em termos de produtividade presente e futura, como bem explica Sergio Firpo nesse texto.

Algumas estimativas apontam que o resultado final da crise será uma destruição líquida de cerca de 3 milhões de vagas. O Itaú BBA, por sua vez, estima que a taxa de desemprego deve atingir 13% até o final de 2017.

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9. Petrobrás

Com uma política de crescente estatização e agigantamento da Petrobrás, e com o já mencionado controle de preços (neste caso, dos combustíveis), o governo fez da estatal brasileira a empresa mais endividada do mundo. A Petrobrás se viu obrigada, ao longo do governo Dilma, a importar combustíveis e vender a um preço menor no mercado interno, a fim de controlar a inflação.

Some-se isso ao fato de a empresa ter uma participação obrigatória de 30% em todos os campos do pré-sal, bem como ser a única operadora, e o resultado é a explosão da dívida da empresa, assim como a drenagem de seu caixa. A dívida bruta da empresa subiu assustadores 330% em apenas 5 anos, atingindo mais de R$507 bilhões ao final do 3º trimestre de 2015.

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Em virtude disso, as ações da Petro derreteram em bolsa, caindo mais de 50% desde que Dilma assumiu. Nunca é demais lembrar que boa parte dos fundos de pensão brasileiros investe em ações da empresa. Isso representa uma grande perda para centenas de milhares de trabalhadores Brasil afora.

No seu auge, as ações preferenciais da Petrobrás já atingiram quase R$60,00. Em janeiro deste ano, mais especificamente, no dia 26, as ações PETR4 fecharam o dia em R$4,20.

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Conclusão

Em posse de todas as informações apresentadas, fica impossível não concluir que Dilma Rousseff foi, sem sombra de dúvidas, a pior presidente da história do Brasil. Ao apostar no voluntarismo político e em ideias comprovadamente fracassadas, tanto teórica quanto empiricamente, Dilma hipotecou o futuro de milhões de brasileiros em favor de um sonho nacional-desenvolvimentista que já nasceu morto.

Dilma há muito já se foi. Seu legado, entretanto, se fará sentir por décadas à frente, tanto no bolso quanto na vida e no futuro dos brasileiros. A história nos mostra, mais uma vez, que a irresponsabilidade elevada à máxima potência cobra seu preço.

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6 comentários em “O legado de Dilma Rousseff em 13 gráficos

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